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Capítulo
XV |
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POR QUE, COMO, O QUE E QUANDO Aquela semana estava predestinada a ser tumultuada. Naquela manhã enquanto o Jair estava em reunião, seu comprador senior, Waldir Paim foi guardar o dinheiro do acerto de caixa na gaveta da mesa do Jair e se deparou com uma pasta, cujo título estampado em letras garrafais dizia: Terceirização das Compras. Assustado com o assunto pediu ao Caio, comprador júnior que vigiasse a porta e o avisasse caso o Jair saísse da sala. Não se sabe o quanto ele leu, mas foi suficiente para gerar uma fábrica de fofocas. O Ailton Campos ainda estava em reunião com o Elimar, o Mário e o David. Como não saíram nem para almoçar a “galera” estava com a produção das fofocas no seu ápice.
Estamos ferrados, cara! - confirmava Laércio Maia. Podemos começar a procurar “O Estadão”. - alimentava a fofoca, Caio Vita. O Jair, quem diria! Não sabia que um dia ele ia dar uma de “traíra”. - disse Waldir Paim. Vocês puxam o saco do cara é isso que vocês merecem. Eu tentei abrir o olho de vocês e nada de enxergarem. Estava muito estranho o ambiente, o Ailton nos últimos tempos não saia da sala dos “homens”. Alguma coisa tinha! - disse Meirelles. Até quando será que a gente vai ficar na Brasil? - perguntou a secretária do Jair, Neide Paz. E você nunca desconfiou de nada, Neide. Desculpe mas essa vez você deu uma de “toupeira”. - disse Ismael. Ele nunca me falou nada desse negócio. Você quer que adivinhe o que se passa na cabeça dele? - respondeu Neide. Eu não vou conseguir ficar esperando a boa vontade do Jair. Assim que ele que ele sair daquela sala, vou falar com ele. Se quiser mandar-me embora um dia a mais ou menos não vai fazer diferença. - disse Waldir. Calma, Waldir. Você nem sabe exatamente o que está acontecendo. O chefe é muito legal , mas se você der uma de bacana ele vai soltar os cachorros em cima de você. E corre o risco de ser chamado de abelhudo. Quem mandou você fuçar na gaveta dele. Eu que sou a secretária dele nunca abri a gaveta da mesa dele - disse Neide. Foi sem querer, Neide. Foi um acidente de percurso. Fui guardar o dinheiro do acerto do caixa e deparei com aquela pasta. - disse Waldir. E que mais que você viu? - perguntou Ismael. Não deu para entender direito. Tem uma ata de uma reunião sobre um tal Sistema de Preço Objetivo, algumas anotações e uma série de contas. - disse Waldir. O que dizia as anotações? - perguntou Neide. Para quem me criticou que eu abri a gaveta da mesa sem permissão acho que você está querendo saber demais. - disse Waldir. Não enche o saco, Wladir. Fale logo! - insistiu Neide. Estavam escritos quatro anotações: Negociar benefícios no desligamento. Então não tem mais jeito. O Jair está mesmo contratanto uma dessas centrais de compras que tem por aí. Será que ele também vai embora? - perguntou Neide. E você já viu a classe dominante ir embora? O cara entregou a gente de bandeja para os “homens”. - disse Meireles.
Pois não, Sr. Jair. - atendeu Neide. Sr. Jair? O que deu em você, Neide? Desde quando você me chama de senhor? - perguntou Jair. Desculpe, Sr...... quer dizer, Jair. Acontece que eu estou um pouco nervosa e..... - dizia Neide. Um pouco? Dna. Neide, faço questão de saber exatamente o que aconteceu aqui na minha ausência ou vou ficar muito bravo. - disse Jair. De repente todos os funcionários olharam para ele como que pedindo para não falar nada. O rubor na face da Neide não conseguia esconder que algo de muito grave tinha de fato acontecido. O Jair ameaçou a se levantar quando Neide despencou a chorar e disse: Eu não tenho culpa se eles viram sua pasta na gaveta sobre a Terceirização das Compras. Eu estava no telefone confirmando o contrato da Siemens, quando olhei estava todo mundo falando sobre essa tal de pasta. Pronto, já falei! Que se dane, eu não tenho culpa mesmo! - falou olhando para o Waldir Paim. O Jair acompanhou o olhar da sua secretária e se deparou com o rosto ruborizado do Waldir. Eu ........... posso explicar, Jair. Calma! Eu não sou abelhudo como você pode pensar, eu ...... - dizia Waldir quando foi interrompido pelo Jair. Waldir, vamos dar uma volta pela fábrica. - disse Jair com cara de poucos amigos. Podemos ir, mas eu não fiz nada de errado. - respondeu Waldir. O grupo do setor de compras gerais correu para a janela para ver os dois caminharem no sentido da fábrica. O Jair falava e o Waldir de cabeça parecia estar mudo. De repente o Jair voltou-se para olhar para a janela do setor e pegou todos assistindo a cena, prontamente correram para seus lugares e o agito dava início a uma semana longa e farta de fofocas. Neide, pelo amor de Deus! Não dá para confiar nas mulheres mesmo. Coitado do Waldir! O chefe vai comer o toco dele. - disse Laércio. Agora já foi, melhor assim. Pelo menos vamos ficar sabendo o que está acontecendo nessas reuniões. - disse Meirelles. Melhor para você e pior para o Waldir. - disse Caio. É melhor fingir que não sabemos de nada e deixar rolar. Quando o Waldir voltar a gente vai saber o que temos para fazer. - disse Laércio. Depois de meia hora os dois voltaram como se nada tivesse acontecido. O Waldir nem olhava para seus colegas. O Jair chegou pegou a famosa pasta da gaveta e colocou dentro de sua mala. Assinou a pilha de pedidos e foi até a Rita, secretária do Elimar, para saber se eles iam almoçar ou comer lanche, quando soube que não iam almoçar no restaurante voltou ao setor e disse para sua equipe: Pessoal, cheguem perto da minha mesa. - o grupo de colabores meio receosos foram aproximando de sua mesa. Se entreolhavam como que tentando descobrir se alguém pudesse imaginar se aquela era a hora fatídica. Eu também posso me aproximar? - perguntou Neide assustada. Claro, Neide. Você faz parte do setor, ou não? - falou Jair. Quando todos estavam perto Jair começou seu discurso. Pessoal, o que aconteceu aqui na minha ausência é inaceitável. Principalmente para um grupo que trabalha a muito tempo juntos. Os documentos que tenho dentro da minha gaveta são meus e somente a mim compete poder pegá-los. Sei que foi um incidente, mas essa falha permitiu que vocês tirassem conclusões precipitadas. Dentro do momento certo eu ia chamar e conversar com vocês a respeito. Todos sabem das mudanças estruturais que estamos passando. Algumas outras vocês vão ficar sabendo ainda esta semana, mas nada que mereça preocupação. - disse Jair. Sermos mandados embora não é motivo de preocupação? - perguntou Meirelles com a língua ferina. E quem disse que vocês serão mandados embora? - perguntou Jair. Nem precisa dizer, Jair. O número de reuniões que vocês tem participado, o Ailton ultimamente chega mais cedo que nós e sai mais tarde que o vigia e o Elimar nem temos visto a sombra dele. De repente na sua gaveta tem uma pasta sobre “A Terceirização de Compras”, está fácil de deduzir que você está contratando uma empresa para realizar os nossos serviços. - disse Meirelles. É verdade, em parte vocês tem razão. Se estão tão curiosos para saber sobre esse assunto sugiro que falemos num, ambiente mais tranqüilo. Que tal um happy hour hoje? - perguntou Jair. Para mim tudo bem, Jair. - disse Waldir. Rapidamente houve consenso que todos iriam ao encontro. A equipe do setor de compras gerais saiu para almoçar e aparentemente estavam mais aliviados. O Jair não demostrava nenhuma preocupação e a vítima do dia era o Waldir Pain que tinha sido “O Marmitão do Dia”. O dia se transcorreu dentro de certa normalidade e por volta das 16:00 horas o consultor encerrava a reunião com o Elimar, o Mário e o David e estava saindo quando Jair o interpelou: Ailton, deu zebra. Por uma falha de percurso um dos funcionários encontrou minha pasta sobre o projeto da terceirização das compras e divulgou para a equipe. Já assumi o controle da situação, mas não tenho como adiar o assunto. Marquei com eles um happy hour no Juca Alemão, não quero incomodá-lo com meus problemas, mas se você puder dar um pulo até lá, quebraria o maior galho do mundo. Se não puder eu me viro sozinho. - disse Jair. Jair, devo ficar com Sr. Anderson até umas 19:00 horas e depois vou para lá. Faz tempo que não participo de um happy hour com sua equipe. Será um prazer estar lá com vocês. - disse Ailton Campos. Maravilha, mestre. Muito obrigado, antecipadamente. - agradeceu Jair. Conforme o combinado o consultor chegou e percebeu que o Jair ainda não tinha feito nenhum pronunciamento à respeito do assunto principal. Cumprimentando um por um o consultor sentiu que o grupo ansiava por sua chegada. Como sempre faz, pediu uma Coca-Cola Light com limão e gelo e sentou-se descontraídamente no meio do grupo. Após algumas amenidades o Meirelles iniciou a reunião. Ailton, desculpe por interrompê-lo mas o Jair disse que gostaria de falar a respeito de um assunto que interessa a todos, mas aguardava a sua presença. Podemos começar, Jair? - disse Meirelles. Podemos sim. Você quer falar, Ailton ou eu falo? - perguntou Jair. Fique a vontade, Jair. Pode falar. - disse o consultor. Pessoal, vou ser curto e objetivo. Nossa empresa está passando por uma série de reformulações oriundas da nossa matriz e dentre muitas nós também fomos atingidos pelas mudanças de alguma forma. Muitos setores da nossa empresa já estão sendo terceirizados, como vocês sabem e não será diferente com o nosso setor. - o grupo ouvia atentamente, e cada palavra do Jair e a apreensão aumentava. - Assim sendo teremos que nos adaptar a esta situação e ..... - dizia Jair, quando foi interrompido. Seremos mandados embora? - perguntou Waldir.... |
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